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sexta-feira, agosto 29, 2003

Tu

No meio da multidão oiço o cantar do pássaro. Caminho. Em silêncio. Atravesso o Parque escondido pela folhagem das árvores. Encontro-te. a ti L. Procuro em ti o silêncio dos últimos meses. Estás igual na tua maneira de seres diferente. Falas-me do passado, do rio onde nos conhecemos, dos passeios de mão dada em dias solarengos pelo parque da Avenida. Acaricias-me a face com suavidade. Sinto o calor da tua mão entrar pelo meu corpo adentro. Revejo a nossa vida, os planos, os sonhos, as viagens que não fizemos. Recordo o nosso primeiro beijo naquele dia ventoso e chuvoso e também recordo o ultimo num dia também chuvoso e ventoso, tal como a nossa relação, tempestiva. Tempo e alma sempre juntos. Partilhámos e separámos, tudo parece ter sido vivido em câmara lenta, como hoje quando me apareceste, parecia como num filme. Tu nunca foste real, talvez feita de celulóide.

Poema

I´m Depressed
I am depressed, O so depressed.
I got the porche and extend my fingers
Over the taut skin of night.
The lamps that link are dark, O so dark.
No one will introduce me to the sunlight
Or escort me
To the sparrow´s gathering.
Commit fight to memory.
For the bird is mortal.

- Forugh Farrokhzad

quinta-feira, agosto 28, 2003

Amor

O amor como existência primordial do indivíduo; mas a existência é o problema central do existencialismo, cujas características são a angústia, a alienação e o absurdo.
O amor pode trazer a angústia e o desespero que são parte integrante da condição humana, mas o que é o amor, e porque nos apaixonamos por A e não por B. Porque nos sentimos infinitamente felizes quando amamos, e porque se rompemos esse mesmo relacionamento nos dizemos desgraçados e infelizes? Diz-se que explicar o amor é impossível. O amor sente-se e é tudo, daí o absurdo.

quarta-feira, agosto 27, 2003

Fotografia

Criei uma espécie de apêndice a este blog. Pode ser visitado em noctivago.fotopages.com. Aqui vou pondo fotos que me agradam, quer sejam de minha autoria quer sejam da autoria de terceiros.

Sem titulo

Acordo pela manhã com o som das ondas do mar. Levanto-me, abro a janela e cheiro a nova manhã. É verão mas sente-se o outono. Lá fora a grande cidade. Pessoas que passam apressadas. No jardim papoilas e margaridas. Na sala. Gosto de ter muito tempo para desperdiçar. Bebo chá com leite. Abro cartas e desejo que sejam de desconhecidos. Oiço o som de máquinas de escrever. Sinto o cheiro de livros novos. Volto para a cama. Adormeço.

terça-feira, agosto 26, 2003

Poetisa II

Em maré de poetisas pouco conhecidas, aqui fica um poema de Karin Boye, poetisa sueca que se suicidou em 1941.


Memory


Quietly I want to thank my fate:
never shall I be completely without you.
As a pearl grows in an oyster,
so inside me
your dewy essence sweetly grows.
I finally one day I have forgotten you -
then will you be blood of my blood,
then will you and I be one -
it is in the power of the gods.

Poetisa

“Eu respeito a poesia no mesmo sentido que as pessoas religiosas respeitam a religião”

- Forugh Farrokhzad


Foi só muito recentemente que descobri a poesia de Forugh Farrokhazad, e logo me senti mergulhado no seu belo mundo poético.
Deixo aqui um excerto do seu poema Another Birth, em ingês, contando que quem o ler irá certamente interessar-se por esta poetisa iraniana que morreu com 32 anos em 1967.

Another Birth (excerto)

Life is perhaps that enclosed moment
when my gaze destroys itself in the pupil of your eyes
and it is in the feeling
which I will put into the Moon's impressio
and the Night's perception.

In a room as big as loneliness
my heart
which is as big as love
looks at the simple pretexts of its happiness
at the beautiful decay of flowers in the vase
at the sapling you planted in our garden
and the song of canaries
which sing to the size of a window.






III

Fim.
O homem morre tantas vezes quantas perde um dos seus.

II

Meio.
Recebo uma chamada. É Z. Que me diz que K. morreu. Finjo não ouvir, não entender. Desligo.
Volto para a janela. Lá fora a vida corre apressada. Pequenas gotas de chuva batem no vidro. Está embaciado. Já não consigo ver o movimento. A vida parou.
Morro por não morrer. Estou só.

I

Começo.
Estou sentado à secretária. Da minha janela observo os carros que passam. Dobram a esquina da rua desaparecendo por entre as folhagens das árvores. Isto enquanto o gato zarolho me lambe os dedos das mãos com a sua língua áspera.

segunda-feira, agosto 25, 2003

Sem Titulo

Sentado numa pedra olho o mar.
Uma onda, depois outra, uma infinidade... a espuma.
Sinto a força das ondas que de encontro às rochas
Clamam por vitória.
O cheiro a maresia, o céu azul claro.
Olho o mar. Para lá do infinito.
Ele chama por mim.
A diferença na igualdade.
Não consigo deixar de o olhar.

Soren

Quanto mais um homem for capaz de esquecer, mais transformações pode sofrer a sua vida; quanto mais for capaz de recordar, mais divina a sua vida se tornará.

- Soren Kierkegaard; Diários, 429

sábado, agosto 23, 2003

Manuais e cursos

Frequentemente vejo anunciado em jornais que vai abrir um novo curso de escrita criativa. Segundo também já ouvi dizer existem livros que ensinam a escrever um romance ou um peça de teatro. Mas para que serve tudo isto quando nem os livros nem os cursos ensinam o principal, que é ter talento, ou se calhar estes cursos servem para isso mesmo para as pessoas se convencerem de que não têm talento. Entendo que profissionais da televisão do cinema tenham este tipo de manuais, mas não entendo é que haja pessoas que queiram ser escritores à força. Não estou a ver o Dostoiévski ou o Proust, ou outro qualquer escritor a consultar um manual. Escrever já nasce com a pessoa, as técnicas e os estilos aprendem-se a ler livros ao longo de toda a vida.

sexta-feira, agosto 22, 2003

Sem Titulo

A infinita solitude. O ardente desejo de estar contigo em todos os momentos. A alegria, a leveza de te sentir no meu corpo. Sinto-te em cada segundo que passa.

Plágio?

Li num Blogue – qual? qual? - não me recordo, a sua autora a ser acusada de plágio. Não pode ser – digo eu. Não acredito. Será que há plágios nos blogues? Não acredito, mas depois lembrei-me da Clara Pinto Correia! Será?

Moleskine

Encontrei ontem um velho Moleskine – ando sempre com um no bolso – quando arrumava uns papeis. A fita estava partida. Dentro do caderno uma fotografia de uma amiga Coreana, Eunha Park, que já não vejo há que séculos; uma fotografia de Kafka e outra de Dostoiévski. Quanto às palavras também encontrei coisas interessantes; assim às tantas escrevo “Gravei ontem na RTP a ópera Nabuco de Verdi, e tudo em mim foi uma exaltação. Depois de terminada, rebobinei a cassete e voltei a assistir ao espectáculo. Até às 5.30 da manhã”. Mais à frente “ Oiço agora a 5ª de Mahlar, por sugestão da Regina. Já conhecia, mas não deixei de me surpreender de e me arrepiar como se fosse a primeira vez que a estava a ouvir”.
E isto alerta-me para o facto de eu cada vez menos ouvir musica erudita. Porquê? Não sei.

Dignidade

Um tio meu que combateu nas Brigadas Internacionais retratou-o bem: «Ele sabia que a causa republicana estava derrotada, mas ficou ao nosso lado, e não para nos dar coragem, que não faltava. Ficou para nos recordar que éramos homens dignos e que a luta não se esgotava nas frentes de Teruel ou Saragoça. Ia mais para além dos Pirinéus e dos Urais. Ficou para nos dizer que a dignidade era uma causa planetária».

L. Sepúlveda in As Rosas de Atacama

Ingmar Bergman

O dramarturgo e realizador sueco Ingmar Bergman na sua carreira venceu três Oscares da Academia para melhor filme estrangeiro pelos filmes The Virgin Spring (1961), Through a Glass Darckly (1962) e Fanny and Alexander (1983).
Não que vencer oscares tenha qualquer importância, mas quem os ganha, ganha também distinção entre os seus pares.
Para mim Bergman é um dos gigantes do cinema mundial, juntamente com Fellini e Eisenstein. Sem ter visto os seus filmes o meu "eu" seria diferente. Quando vi pela primeira vez um filme de Bergman - Monika - tinha 17 anos, e desde logo me senti envolvido e capturado pelos temas recorrentes na sua obra - a morte, a solidão, o divorcio.
David Thomson, em A Biographical Dictionary of Film descreve assim os seus filmes "Bergman has survived his own fashion. His stature is secure, and the films are there for the ages. The very early films are now in need of rediscovery—but that will only prepare fresh generations for the journey through his career. For so many people, Bergman has been the man who showed the way to a cinema of the inner life."
Felizmente em Portugal existem muitos titulos em VHS disponiveis para compra, bem como uma caixa de 4 DVD´s, com três filmes e entrevistas com o realizador. De tempos a tempos também a RTP 2 exibe filmes do realizador sueco, se bem que agora com a nova grelha esse tipo de cinema muito provavelmente deixe de ser exibido.



Tantos Blogues

"Tantos escritores e tão pouco talento"

- Lobo Antunes


quinta-feira, agosto 21, 2003

Professores

Repasto em casa de um casal amigo. Ambos professores na Universidade de Aveiro. Comida boa, bem regada com bom vinho Alentejano. Conversa ainda melhor. Às tantas diziam que o ensino está de rastos, que os professores ganham mal, não tem condições de trabalho e que os alunos não sabem nada nem se interessam em aprender. Ora desde muito novo que ouvi dizer que o exemplo deveria vir de cima. Se os alunos nada sabiam era porque os professores nada ensinavam, e que muitos professores não foram talhados para dar aulas, outros estavam desmotivados, etc., etc. Fui quase insultado. Os professores não tinham era condições para exerceram condignamente as suas funções, e que os alunos já vinham com má formação de casa. Ora esta, mas os professores também têm filhos, ou será que os filhos destes são todos espertos e bem comportados?
Estou um pouco farto de ouvir sempre dizer que a culpa é dos alunos, e talvez por isso nunca me esqueço das palavras de um professor de matemática, já com uma certa idade e muita sabedoria, que tive no Liceu “O aluno tem sempre razão” .

Curiosamente ou não, eu próprio fui vitima de muitos professores com fracos conhecimentos científicos e pedagógicos. No liceu encontrei boa pedagogia e má ciência, na Universidade boa ciência e má pedagogia. Como é difícil encontrar um meio termo. Ainda assim não esqueço alguns bons professores que tive e que muito me ensinaram.

Sentidos

E num abrir e fechar de olhos eis que voltas, assim vinda do nada. Estava eu a sair de casa. Voltei a subir as escadas, e tu a meu lado sem dizeres palavra. Tinhas partido assim sem nenhuma palavra, apenas os teus olhos falavam, e diziam muito: rancor, ódio, desespero, angústia. Eu também sentia isso tudo e também nada disse. Lembro-me bem dos teus olhos nesse dia, e lembro-me das tuas mãos quentes quando lhes peguei pela ultima vez. Despedia-me assim de ti, pelos sentidos, e isso bastava. Eu não queria que partisses, mas tu nem para trás olhaste. Agora voltaste para tudo se repetir.
(a continuar)

quarta-feira, agosto 20, 2003

Biblioteca

Regresso da biblioteca. Fui lá entregar uns livros que tinha requisitado. A funcionária que me atendeu estava a ler a revista Caras. Fiz má cara, e ela percebeu; mas quem deveria ter ficado irado seria eu. Num local de tanta cultura com milhares de livros aquela funcionária estava a ler uma revista da treta. Fiquei doente. Estou doente.

E agora vou ler uns poemas do Neruda a ver se melhoro.

Pacheco Pereira

O dr. Pacheco Pereira tem boa prosa. Escreve muito bem, nota-se que é um estudioso do que diz. É muito inteligente, e segundo parece tem a maior biblioteca privada do país(?), o que lhe gabo. Mas a mim não me encanta, aliás nenhum ex-maoista (eu sei é um estigma) me encanta, como não me encantam os troca tintas, nem tão pouco os traidores.

Blogues 3

Blog de que gostei: www.uns-e-outros.blogspot.com, pela sua beleza nas palavras.
Blog de que não gostei: www.memorialdoconvento.blogspot.com/, pela previsibilidade, e por ser igual a centenas de outros.

Blogues 2

Na apreciação que fiz sobre os blogues que aleatoriamente visitei não inclui as professoras. Erro meu. Assim vou continuar a rotular, compartimentar, classificar, para que possa entender e para que não encontre surpresas quando tiver necessidade de encontrar algo. Assim estou mais descansado!

O Sol

Uma criança despede-se do Sol quando este se encontra perto do seu ocaso: "Adeus Sol, adeus Sol". O pai diz-lhe: "Vamos embora filho, o Sol volta amanhã", mas a criança teimava em despedir-se do Sol. E lá continuou: "Adeus Sol, Adeus Sol". E eu fiquei alegre com tanta ternura. Adeus Sol e até amanhã.

Sozinho

Estou só. Estou só apesar de estar rodeado de pessoas. Não oiço ninguém, nem um som. Tudo rodopia num crescendo de intensidade e loucura. Estou só. Sinto-me só, e tudo em mim é vago e distante. Procuro a plenitude de uma obra, encontro o caminho agreste e penoso. O voltar, o ser, e ainda eu.

Algo de verdade

"Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte o vosso direito de dizê-la."

- Voltaire


"Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado."

- George Orwell


"O homem pode ser livre sem estar sozinho; critico sem ficar cheio de dúvidas, independente, sem deixar de formar parte integrante da humanidade."

- Erich Fromm



terça-feira, agosto 19, 2003

Um sonho

Esta noite sonhei que não tinha horas para me levantar/Que não tinha obrigações a cumprir/Que não tinha satisfações a dar.
Esta noite sonhei que não existiam carros, nem fumo, nem qualquer tipo de poluição.
O ruído desaparaceu/as ruas estão desertas/oiço somente a natureza/imponente e majestosa.
Esta noite nasci/e de mim fiz homem/vou viver, vou amar/
E serei sempre eterno em felicidade.

Poema

Como se ao partir
alcançasse
os dias do regresso,
finjo
que não há outro modo
de partir.

- Helga Moreira

segunda-feira, agosto 18, 2003

Mais blog

Naveguei pelos blogs que aleatoriamente me foram aparecendo. Meia hora, uma hora talvez. E já tenho o perfil da maioria. Mulheres acima dos 30 anos, muitas divorciadas, muitas desesperadas, homens que trabalham no jornalismo ou gostavam de trabalhar, literatos frustrados e adolescentes com problemas existênciais. E pouco mais.

30 anos

Alegra-te homem. Afinal de contas já só faltam 30 anos para a reforma.

3 dias

Depois de três dias que souberam a férias, de novo a trabalhar e de novo a angústia e o desespero de tudo e o absurdo de se ser sem o ser.
O que faz sentido? Um trabalho estupidificante? E se o não fosse, não seria igualmente absurdo? Afinal há os horários a cumprir, as reuniões, o ter que olhar os colegas, o ter que falar quando tudo o que se deseja é o silêncio. E todos os dias a mesma coisa.

Sou doido porque te amo

O filme Intervenção Divina de Elia Suleiman, que ontem vi, dialoga com o espectador através de silêncios. Uma imagem, um movimento são o suficiente para transmitir emoções. As mãos dos namorados que se tocam são disso exemplo.
Suleiman construiu um filme simples cheio de complexidades - o amor impossível (?) entre uma judia e um palestiniano, o absurdo da divisão de dois povos que ocupam o mesmo lugar, e a guerra como forma de libertação.
Sou doido porque te amo lê-se numa parede, e o filme é isso mesmo; é possivel amar e o amor existe no meio da divisão, do caos, da guerra.

quinta-feira, agosto 14, 2003

Angústia

A angústia de que sofre o guarda-redes no momento do penalty deve ser semelhante à angústia do escritor para com o papel em branco.

Acordar

Acordo frequentemente com ideias e estórias a fervilhar no meu cérebro. Há medida que o dia vai avançando essa ideias se vão dissipando. Quando finalmente me sento para escrever já pouco resta do entusiasmo inicial. E assim se perde algo em mim que eu muito queria registar.

Tu

E hoje vi-te. Estavas na paragem do autocarro. Cabelo apanhado, grandes olheiras, toda vestida de preto. Continuas bonita na tua beleza de gelo. Fumavas um cigarro que levavas à boca em movimentos muito lentos, como em câmara lenta. Os nossos olhares entrecruzaram-se por um segundo, o suficiente para me transmitirem uma sensação de leveza e bem estar.

Tu que não existes. Tu que és não. Não beleza. Não verdade.

Marx e Goethe

Ontem procurava numa pilha de livros um livro de Marx e dei de caras com um livro de aforismos de Goethe. Começei a ler passagem aqui e ali e às tantas já nem me lembrava do Marx. Fiquei assim, absorvido pela sabedoria de Goethe, e esqueci Marx. Bem pelo menos ainda não o matei.

terça-feira, agosto 12, 2003

Cigarros

Fumo. Fumo porque gosto de fumar. Tenho prazer nisso, e não sofro da dependência da nicotina. Hoje posso fumar um cigarro como amanhã posso fumar vinte. Consigo de um dia para o outro deixar de fumar e permanecer assim durante dias ou meses, depois volto a fumar. Porque gosto.

Profundo como...

O que é o amor? E o ódio? Porque nos apaixonamos? O que é isto de viver um dia desesperado e outro em êxtase? Porque gostamos de umas pessoas e não de outras?
Todas estas perguntas me parecem tão simples de responder, mas sempre que tento não consigo. Tudo é um grande mistério, como a própria vida.

Silêncio

Amo o silêncio.
E é tudo.

Calor

Tanto calor seguido já é demais.
As noites quentes destas ultimas semanas recordam-me a infancia e adolescência passadas em férias com os meus pais no Algarve. Passeava-se à beira-mar, olhava-se a multidão de vereaneantes, arranjavam-se namoros de verão. Era tudo muito simples, muito despreocupante, muito, o tempo é infinito.
Agora já não vou para o Algarve, aquilo estás cheio de prédios, de poluição, o ordenamento é aberrante, e as pessoas são cada vez mais. Em Agosto fico na minha cidade que está deserta. Não tem pessoas nem transito nem corre-corre. É um descanso, uma terapia para a vida agitada dos outros onze meses.

segunda-feira, agosto 11, 2003

Vegílio Ferreira

"Porque o que mais custa a suportar não é a derrota ou o triunfo, mas o tédio, o fastio, o cansaço, o desencorajamento. Vencer ou ser vencido não é um limite. O limite é estar farto"

- Vegílio Ferreira in Conta-Corrente 5

sexta-feira, agosto 08, 2003

16:48

Desespero. Falhanço total. Desmotivação.
Ícaro foi vitima da sua própria ambição.
Estou num local de ambição desmedida.
A altura é elevada, a queda será certamente para nada se aproveitar.

Fim de tarde

Sair do trabalho, sentar-me numa esplanada, ler o Público e fumar muito lentamente um cigarro.

Erros

Não revejo nada do que aqui escrevo, por isso se alguém detectar erros faça o favor de me comunicar.
Agradecido desde já.

Aconteceu

Quando o escritor Inglês George Orwell tentou publicar pela primeira vez vez o seu livro Animal Farm nos Estados Unidos, enviou o manuscrito para uma Editora reputada que algumas semanas mais tarde lhe escreveu uma carta dizendo que não publicavam livros para crianças. Claro que Animal Farm é uma sátira à revolução Bolchevique e está muito longe de um livro infantil.

Charles Bukowski, escritor norte-americano também aquando da tentativa de publicação daquele que viria a seu o seu livro Women teve como resposta de um editor que o texto em causa não tenha conteudo, nem estrutura, nem era tão pouco literatura, ao que Bukowski respondeu que aquele manuscrito eram apenas palavras impresas em papel, e que lhe podiam dar o sentido que que bem entendessem.

A melhor história que conheço foi a de um mui conhecido prémio literário atribuido no Canadá cujo juri era composto por grandes personalidades do mundo académico. Ora ano após ano o prémio era atribuido a escritores cujos méritos muitas pessoas (escritores, jornalistas e anónimos) achavam de fraca categoria. Desconfiados da capacidade de atribuir este galardão por parte dos académicos um grupo de cidadão decidui um ano concorrer com textos que iam de Kafka a Dostoievski. Difícil foi acreditar quando o vencedor foi uma qualquer pessoa que não um texto de um escritor consagrado. O escandalo veio a público, os senhores académicos demitiram-se e o prémio perdeu o prestigio que tinha.

Às 6 horas

Às 6 horas sou livre
Daqui vou sair
Rumo à minha liberdade
Vou cantar e dançar
Olhar o Sol e sorrir.

Poesia

Sessão de poesia no meu local de trabalho. Uma colega minha em forma de despedida para um colega que se vai embora da empresa, decidiu presentar-nos com declamação de poemas de sua autoria, em português e francês. Foi bonito e agradavel.

Temperatura

Ontem às 11 horas da noite quando me deitei, o pequeno termómetro que tenho no meu quarto marcava 35 graus.
Noite difícil para dormir, manhã sem forças, olhos a fechar.

quarta-feira, agosto 06, 2003

Musica

Há já muitos anos comprei um livro numa livraria do Porto, com o título de Escritica Pop. O autor do livro era um tal de Miguel Esteves Cardoso. Depois de muitas crónicas, muitos livros, e até de duas campanhas eleitorais volto a encontrar o tal livro velhinho de muitos anos e com muito pó. Nesse livro MEC considerava quatro bandas fundamentais no panorama musica - Joy Division, Velvet Underground, Talking Heads e Doors. Como nessa altura, em que li o livro, era um adolescente sedento de musica de grupos cujos discos não existiam em Portugal, fui devorando estas e muitas outras bandas cuja linha era a da chamada musica alternativa e que descobri primeiro na Escritica Pop e depois no vinil. Agora em 2003, sou obrigado a concluir que MEC estava mais do que certo: Os Joy Division, os Velvet Underground, os Talking Heads e os Doors são de facto as bandas mais influentes do mundo da musica, e para mim continuam a ser os quatro pilares fundamentais de toda a musica pop.

Cinema asiático

Para todos os que gostam da 7ª arte e muito em particular do cinema produzido no continente asiático existe um site em português de exelente qualidade - www.asia.cinedie.com.

Negação

Não. Não sou, não quero. Não. Não vou, não posso, não mando. Não tenho. Ser hoje, ontem. Não ser. Ver, ouvir, falar. Não. Tudo. Tudo não, não tudo. Ver, a ti. Sorri, não. Não é o meu desejo de não desaparecer. Não fora o não. Tudo é não, viver é não, sofrer é sim. Desejo. Não.

terça-feira, agosto 05, 2003

Hoje

Alguns dias sem vir aqui ao blog libertar palavras na corrente.
Dias dificeis, dias tristes e melancólicos. Tudo converte-se em nada, e tudo deixa de fazer sentido. O tudo de hoje é o nada de amanhã. O vazio impõe-se à estrutura. O caos reina.

E nestas alturas regresso sempre aos livros de Vergílio Ferreira, sejam ensaios, romances ou diários. As suas palavras entram-me profundamente na alma, dão-me ar, obrigam-me a respirar mais fortemente. Tudo é grande nas palavras sábias deste grande escritor, e eu nos seus livros encontro o consolo e a fonte de inspiração para continuar a viver.

sexta-feira, agosto 01, 2003

Agosto

Agosto. Verão. Tempo de férias, praias, viagens com os amigos, festas loucas, amores de verão que não duram mais do que a estação.
O verão é uma época alegre por natureza. Pelo seu clima, pela pouca vontade de nada fazer, pelas longas conversas nas esplanadas dos cafés, pelas noites quentes.
E quantos mais verões ainda viverei? Vinte, vinte e cinco, trinta? Seja qual for o número é sempre pequeno.