ao correr do tempo...

foto nuno s.Não existes – és um fantasma e mais nada. Só eu existo no mundo. Mesmo desgraçado, me sinto existir como nunca. A tua imagem é uma sombra que me persegue e arredo. Agora sou só e livre – só e desesperado.
Raul Brandão, Húmus
Naquele quarto de hotel, abandonado aos meus pensamentos mais ignóbeis, quis ter-te só para mim, sabendo contudo que o teu amor era a prazo.
Enganei-me, procurando o futuro.
E o que fazer? Maldita a hora em que nos cruzámos debaixo daquela chuva intensa. Parados à espera. E o amor aconteceu, sóbrio, rápido, desconcertante. E maldita seja esta minha vontade de te ter todos os dias, desesperadamente, porque não olharei mais em teus olhos.

6 Comments:
a liberdade será a prisão do desespero? ser livre é ter de acarretar com o peso das nossas escolhas.
por vezes o olhar do outro fere...
bjs.
Talvez não tenha muito a ver, mas...
"Não é o amor que interessa aos homens, mas as crenças naturais na capacidade de sentir."
"Antes do Degelo"
A. Bessa-Luís
... cada vez mais vou achando que sim! Pode ser que a Primavera mude isso:)
Beijo,
Elena
Desesperante é a prisão a certas recordações (eu sei do que falo). Olha à tua volta... mas no presente. Vê o que te rodeia, mas sem correntes ligadas ao passado. Acredita, "the best is yet to come"...
Aquele abraço.
Chegaste numa manhã de trabalho e despertaste em mim a curiosidade... parabéns!
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